Rishikesh – Terra dos Sábios

24 Km separam Haridwar de Rishikesh, considerada a capital mundial do yoga, e fizemos este percurso de táxi. A chegada em Rishikesh é meio turbulenta, com ruas estreitas e muito engarrafamento de carros, vacas, tuc tucs, motos e coisas que se locomovem, em geral… Rishikesh é uma cidade vegetariana por lei, sendo o consumo e a venda de carne proibidos.

A entrada de Rishikesh é bem tumultuada

A cidade propriamente dita é o conglomerado de pessoas e construções típicas da India, mas a Rishikesh que interessa aos turistas e praticantes de yoga fica do outro lado do rio Ganges, que a divide. Lembrei-me de Dharamsala, pois a cidade em si não tem mais atrações que as cidades pequenas do país, mas ao subir a serrinha e chegar em McLoid Ganj, nos deparamos com os monastérios, ashrams, turistas e o Dalai Lama Temple. O mesmo se dá em Rishikesh.

O taxista nos levou para o hotel que era meio afastado mas próximo ao rio. Era um “hotel parque” com muitos jardins e bangalôs, onde ficavam os hóspedes.

Nosso hotel em Rishikesh

Tivemos um pequeno problema com a água quente do quarto, o que diante da impossibilidade de conserto rápido, nos colocaram em outro. No frio que estava fazendo, tomar banho gelado poderia ser uma aventura inconsequente… e ficar doente em viagens não é um bom programa… deixamos as coisas no hotel e pegamos um tuc tuc em direção ao rio. No caminho um encantador de cobras tentava encantar um cachorro com sua flauta, coisa meio inacreditável; mas não podemos esquecer que estamos na India, terra onde o fantástico e o inacreditável são cotidiano para milhões de pessoas!

Pegamos um tuc tuc e fomos para o rio

Ao chegarmos próximo ao rio encontramos as duas pontes que ligam os dois lados da cidade. Pelas pontes circulam motos, pessoas, vacas, bicicletas e macacos, muitos macacos. São especialistas em nos roubar garrafas de água e suco, comidas de qualquer espécie, câmeras fotográficas, passaportes e tudo o mais que esteja fácil de pegar. Portanto todo cuidado é pouco!

As pontes que ligam um lado ao outro da cidade

Saltamos na entrada de uma das pontes e fomos conhecer as imediações. Rishikesh tem um bom comércio mas não é um bom local para compras maiores, somente para pequenas lembranças.  Por ser famosa internacionalmente, os preços das mercadorias são mais salgados que em outras cidades menos turísticas.

Comércio variado e muito colorido

Lord Shiva está presente em todas as ruas, em todas as lojas e restaurantes, na entrada de todos os ashrams, nos carros e tuc tucs e onde mais prestarmos atenção. A religiosidade se faz presente em cada esquina, principalmente com representações de Shiva e do Shiva Ligan. Shiva é a deidade mais cultuada em Rishikesh e vários dos rituais à beira do rio são feitos em sua intenção. Rishkesh é lugar de peregrinação e reconhecida como um dos lugares mais sagrados para os hindus. Santos e sábios hindus visitam Rishikesh desde a Antiguidade em busca de conhecimento.

Lord Shiva, assim como em Varanasi, é onipresente em Rishikesh

Além de toda a força espiritual que fundamenta sua história, os Beatles na década de 1960 também contribuíram muito para sua fama. Em fevereiro de 1968 eles visitaram o ashram de Maharishi Mahesh Yogi e John Lennon gravou  “The Happy Rishikesh Song“. Os Beatles compuseram várias canções durante seu tempo no ashram de Maharishi, algumas das quais figuram no disco “Álbum Branco” e no “Abbey Road”. Vários outros artistas, dentre eles Mike Love, The Beach Boys e Donovan visitaram o lugar para contemplar e meditar.

The Beatles em Rishikesh com Maharishi Mahesh Yogue

Durante muitos anos Rishikesh foi o paraíso para o consumo de drogas por hippies de muitas partes do mundo, prática que ainda se mantém mas em menor escala, depois que o governo local vetou o acampamento às margens do rio e aumentou o policiamento e as prisões de estrangeiros. A sujeira deixada pelas pessoas nas areias e na água do rio contribuiu para uma lei mais rígida com relação ao turismo na cidade, inclusive limitando esportes aquáticos como o remo e o raffting. Havia muita dificuldade por parte dos ocidentais sobre o que é encontrar a paz de espírito, e guardar seu lixo ao mesmo tempo.

As escolas de yoga e os Ashrams se proliferam em Rishikesh, tornando-a referência para professores de yoga do mundo todo, e a lista de espera para fazer treinamento em alguns pode passar de um ano. Yengar, Swami Sivananda, Swami Dayananda, Swami Satyagananda Saraswati, Patali Joy e tantos outros mestres do yoga tiveram e ainda tem suas escolas por aqui. Atualmente muitos professores, em especial europeus e americanos, tem seus próprios cursos na cidade.

Ashrams e escolas de yoga são a marca de Rishikesh

Rishikesh promove anualmente dezenas de eventos em prol da manutenção da limpeza do Ganga, rio ganges. São organizados festivais de música, palestras e movimentos de conscientização nas escolas. No norte da India o Ganges ainda é bem limpo e conseguimos encontrar águas cristalinas em vários pontos do rio. Pequeninos templos e centenas de imagens de deidades também são encontradas por todos os cantos. Podemos nos deparar com Ganesha, Lakshmi e Hanuman em quase todas as esquinas.

Os anúncios de conscientização para manter o rio limpo e os pequenos templos e imagens de deidades estão por toda parte.

O grande evento diário em Rishikesh é o Aarti ou Puja, para Shiva, feito às margens do Ganga e em frente à sua imensa estátua. Centenas de pessoas, indianos e estrangeiros, fazem juntos as preces e oferendas para Lord Shiva. É um momento forte e de cura também para muitas pessoas. Na enchente de 2011 quase todas as construções em frente ao rio foram destruídas pela força das águas. Lord Shiva, no meio da ressaca do rio, permaneceu intacto!

O “Grande Shiva do Rio” se manteve em pé ao longo de várias inundações e é reverenciado diariamente por centenas de pessoas.

Fizemos um passeio de barco até a outra margem do rio. Já havíamos ido várias vezes à pé ao outro lado e resolvemos conhecer o mesmo trajeto feito de barco. No cais compramos os ingressos e pensamos que era de ida e volta. Tivemos que voltar à pé num frio absurdo pela ponte. Já eram 18:00h e a bilheteria para comprar o ingresso de volta já tinha fechado… coisas da India…

Travessia do Ganga feita de barco

Além da busca técnica (do yoga) e  espiritual, que rege a maioria dos visitantes da cidade, também podemos encontrar nas ruas e muitos “cantinhos” com cafés, pequenas lojas e restaurantes. Esbarra-se com turistas do mundo todo à cada passo e profusão de línguas diferentes é bem interessante. Há restaurantes para todos os gostos e bolsos.

Restaurantes de todos os tipos. A carne é proibida.

A oferta de cursos de yoga, spa’s, astrologia, ayurveda, massagens e outros conhecimentos é largamente anunciada. Podemos encontrar qualquer tipo de yoga e tratamentos ayurveda em Rishikesh

Cursos, aulas, pequenos retiros, tratamentos estéticos. Todos anunciados em cartazes pelas ruas.

Rishikesh é uma parte da Índia muito focada nas tradições do yoga, principalmente. Não é um local para compras. Pessoas vão em busca de retiros, meditações e práticas curativas. É possível meditar em pequenas cabanas nas montanhas, em cavernas e por conta própria na beira do rio, em locais silenciosos e harmônicos com tudo o que a naturezalá oferece. Deixamos Rishikesh alguns dias depois sob muito frio e com a promessa de voltar e dedicar mais tempo às práticas que costumamos fazer.

Obrigado pela visita!

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5 comentários sobre “Rishikesh – Terra dos Sábios

  1. Lembro como se fosse ontem… aquele medinho da primeira vez, natural, logo se transformou em uma grande realização! Lugar sagrado, berço de uma tradição de conhecimento única, onde espero ter a benção de retornar outras muitas vezes. Om!

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