Pelos Caminhos do Buddha 1. Lumbini, Nepal – Nascimento

 

lumbini

Estava em Bhairawa e sou surpreendido com a notícia que o país está em greve geral por dois dias. Meu plano inicial era ir dali para Kathmandu. Descobri então que Lumbini, cidade natal do Buddha, ficava há 26 km e Kathmandu há 270 km. Mudei minha rota e fui para Lumbini antes de Kathmandu. O problema foi conseguir transporte… não havia ônibus, nem táxis nem autorikshas, aqueles que os indianos chamam de tuc-tuc. Um cara de uma agência de viagens se ofereceu para me levar em seu carro por uma pequena fortuna, aos meus olhos. Recusei e disse a ele que alugaria um ricksha comum mesmo, aquele de pedalar e iria para Lumbini. O cara disse que eu era louco, que era muito longe, que estaria muito calor na estrada, que tinham os piqueteiros, etc. Nada disso me impressionou, pois estava decidido a ir para Lumbini. Voltei ao hotel e pedi ao cara da recepção negociar minhas condições com o condutor de um ricksha, pois este falava pouquíssimo inglês. Depois de uns 15 minutos, conseguimos fechar o preço em 700 rúpias nepalesas, água e paradas para comer qualquer coisa nas vendinhas da estrada.

Viagem de ricksha tranquila e com paisagens muito variadas

A viagem transcorreu maravilhosamente! Paisagens diferentes e exóticas pelo caminho, pessoas com trajes desconhecidos (nepaleses vestem-se diferentes dos indianos), calor suportável e muita sensação boa de estar no desconhecido! O condutor pedalou por 26 km carregando a mim e a bagagem. Paramos duas vezes para comprar água e comer. Numa das paradas eu comi uma espécie de grão, meio ervilha, meio feijão, muito saboroso numa tijelinha de ferro. Tomamos também coca-cola e chá para repor açúcar. Achei ótimo, pois há 24 horas praticamente só comia biscoitos salgados. Algumas horas depois chegamos em Lumbini, me hospedei numa guest house que esqueci o nome e saí para dar uma volta.

A chegada em Lumbini após a 2ª viagem de ricksha no Nepal.

Lumbini é um local grande, mas a “cidade” se concentra numa única rua onde ficam as guest houses, restaurantes muito simples e lojinhas para turistas com muitas coisas fantásticas para comprar! Os templos, os marcos históricos e outras atrações ficam mais distantes. Há também hotéis melhores e mais afastados, mas optei por ficar num hotel mais simples e perto de todo o necessário.

 

Grande número de pousadas, comércio, anúncios e a rua principal de Lumbini

Deixei as coisas na pousada e fui ao Buddha Nepal Temple e ao Maya Devy Temple, local exato do nascimento de Gautama Buddha. Em Lumbini o calor estava por volta de 42º… andei dois km do portal da entrada do templo até o templo propriamente, Ao chegar lá o guarda me pediu o ingresso e eu disse que não tinha, não sabia que era pago. Teria que voltar a pé os 2 km naquela temperatura e ele viu minha expressão de desânimo. Me ofereceu então o aluguel de sua bicicleta por 200 rúpias para eu comprar o ingresso e voltar. Claro que aceitei. A bicicleta era baixa para mim que sou alto e o freio mal funcionava, mas consegui fazer o percurso assando, tranquilamente! O Maya Devy Temple foi construído a aproximadamente mil anos sobre o local exato do nascimento de Buda. Há uma certa polêmica a respeito disto, pois na época de seu nascimento, Lumbini era parte da Índia. Depois foi anexada ao Nepal, o que faz muitos indianos dizerem que Buda é indiano e nepaleses dizerem que é nepalês…

Entrada do Maya Devi Temple, local do nascimento de Gautama Buddha e entrada do Buddha Nepal Temple

Maya Devy Temple e o local exato do nascimento de Buda

O local tem enormes jardins, milhares de flâmulas tibetanas, placas com dizeres do Buddha, incensos espalhados, etc. Não é tão turístico como o MahaBody Temple de BodhGaya, acredito por ser em uma cidade fora da Índia e de acesso não tão fácil. Centenas de peregrinos sentavam sob as árvores enormes para meditar, fazer orações e ouvir as palavras de monges que ficavam sob várias delas. Ao me aproximar de um grupo fui chamado pelo monge, que me colocou uma fita no punho direito e recitava mantras em tibetano enquanto a enrolava. Depois me deu dois incensos e pediu que os acendesse ao lado, no tronco de uma árvore que continha velas, flores e mais incensos. As árvores maiores como aquela, são descendentes da BodyTree original, a árvore em que Buddha, sentado sob sua sombra, alcançou a iluminação em Bodhgaya, na Índia.

A área do Maya Devi Temple

Passei um bom tempo andando por lá, lendo as placas, pensando na vida, mal acreditando que estava naquele local…  depois sentei para meditar sob a BodyTree e voltei para almoçar numa caminhada longa sob calor enorme. Almocei o mesmo prato que vi um americano comer e pedi igual. Ele também ia depois para Kathmandu e também viajava sozinho. Pra variar o prato tinha muita pimenta e ao mesmo tempo muito saboroso. Fui depois para o hotel tirar um cochilo e novamente passear. Aluguei uma bicicleta e entrei numa pequena aldeia próxima, com casas de sapê, mas não me senti a vontade para tirar fotos. Voltei, entreguei a bicicleta e fui para a internet ver e-mails e postar algumas fotos. Lá, havia um monge jovem com um japamala nas mãos e no pescoço. Passamos um bom tempo ao computador e, quando me levantei, dei um “tchau”. O monge então virou para mim com um olhar de felicidade e bondade que nunca tinha visto na vida! Juntou as mãos, abriu um enorme sorriso e disse “namastê”. Lembrei-me da expressão budista “oceano de amor”; seus olhos expressavam isto e esta imagem me marcou o resto da viagem.

Aluguei uma bike e fui em direção à um vilarejo nas proximidades. Um monge chinês ensinava crianças a tocar seu tambor. A chuva forte me fez voltar mais rápido do passeio

No dia seguinte fui conhecer o Ashokan Pillar, o Chinese Maitreya Temple e outros nas  imediações. Este passeio levou a metade do dia. Conheci um português que já havia morado no Brasil e sua namorada italiana. Batemos um bom papo e seguimos nossos caminhos. Como todos os templos budistas, estes também muito coloridos, com representações das deidades e emanações do Buddha, esculturas, pinturas em tankas (tecido especial), rituais, meditações diariamente e retiros disponíveis em muitas datas ao longo do ano. Um quadro relata a divindade e o poder de Buddha, que ao nascer,  caminhou sobre flores de lótus desde o 1º dia de vida.

Os típicos templos budistas multicoloridos, alegres e mágicos!

Indicações de retiros de meditação e o Deer Park

Escolas de meditação budista e monastérios são encontrados a cada esquina praticamente. Na época das monções e no inverno costumam ficar lotados de estrangeiros que buscam retiro nesta terra sagrada. Meu hotel ficava em frente ao Deer Park, também encontrado em Rajgir, cidade para outro post. Eu quis passear e meditar lá e sentir a energia do Buddha que se mantém, pois ele costumava passear e meditar lá na época. Fui aconselhado a não entrar no parque por causa das cobras (najas), que no verão se proliferam… fiquei na vontade… passei mais um dia e noite em Lumbini com a certeza de voltar com mais tempo e meditar muito. Minha amiga Adva, da Ucrânia, passou dois meses meditando com um monge numa caverna nas redondezas. Quem sabe terei esta oportunidade também?

Obrigado pela leitura!

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