BANGALORE – Uma Grata Surpresa!

Bangalore não constava nos meus roteiros pela Índia. Eu tinha uma visão muito comercial e tecnológica da cidade, o que também se confirmou. Entretanto uma amiga havia recebido a recomendação também de um amigo e resolvi acrescentá-la na última viagem. Saímos do aeroporto Indira Ghandi em Delhi e três horas depois estávamos no local que foi uma grata surpresa para mim! Logo ao chegar percebi um aeroporto muito acolhedor com flores em frente às esteiras, muitos cafés, lojinhas, áreas floridas e muito bem tratadas logo na saída. Sentamos num destes cafés para descansar um pouco e aguardar nosso táxi para o hotel.

 

Um aeroporto acolhedor nos recebeu

As flores nas esteiras onde pegamos as malas foi uma grande novidade para mim. De certa maneira é um acolhimento de boas vindas proporcionado pela administração do aeroporto. Os cafés também são bem simpáticos, confortáveis e ficamos algum tempo sentados e olhando o movimento do aeroporto que acabamos de conhecer. Depois pegamos o táxi e fomos para o hotel na Mahatma Ghandi Road, em frente a estação de metrô do mesmo nome. Nosso hotel era muito bem localizado no centro da cidade e ao lado de um variadíssimo e sofisticado comércio, restaurantes, lojas famosas e muito mais.

 

Comércio intenso e variado na região do hotel

No caminho do aeroporto ao hotel pude observar a limpeza da cidade, contrastando com a maioria das cidades indianas. Logo depois de nos acomodarmos fomos dar uma volta nas imediações e nos deparamos com o “Hard Rock Café Bengaluru”. Eu sei que há um Hard Rock em Delhi, no Sacket (um bairro chique e distante), mas nunca passou pela minha cabeça entrar num deles na Índia… acabamos entrando e fiz um belo lanche! Indianos mais “descolados” frequentam o local e ouvem um bom Rock & Roll ocidental enquanto bebem e papeam. Para mim foi uma novidade ver indianas em especial usando saias curtas, fumando e bebendo; depois falo mais sobre esta peculiaridade de Bangalore. A decoração do bar é sensacional, assim como o cardápio e as músicas. Como estávamos na Índia, mesmo num bom lugar, tivemos que pedir que requentassem a comida, pois veio meio fria… coisas da India!

 

O Hard Rock Café de Bangalore

Em meu roteiro constava conhecer os ashrams de Sathya Sai Baba, Vivekananda e a sede da “Art of Living” (Arte de Viver), do Sri Sri Ravi Shankar, o mestre indiano e não o músico mundialmente conhecido. No dia seguinte pela manhã pegamos um táxi e fomos para o Art of Living. Muito longe, trânsito mais engarrafado que em Delhi, mas enfim conseguimos chegar. Logo na entrada podemos ver a imponência do local com seguranças na porta, muitos avisos sobre o comportamento lá dentro, uma kombi para nos levar até onde quiséssemos, muitas lojas pequenas e grandes, lanchonetes, sorveteria, anfiteatro, lago, centros de tratamento da medicina Ayurveda, prédios dormitórios, um enorme salão de meditação e outros locais para atividades específicas. Passamos um bom tempo lá conhecendo o que foi possível. Estava um sol escaldante e um calor enorme, o que requereu um esforço grande para caminhar em parte daquela imensidão…

Visão geral da sede da Art of Living em Bangalore

Meditamos por algum tempo no salão de meditação, conhecemos mais alguma coisa do local e voltamos para a cidade. O Art of Living é bem interessante, mas me pareceu ao mesmo tempo ter uma forte visão comercial, o que não me agradou muito. Como estou acostumado a outros ashrams em diversas cidades na Índia e com outras abordagens, não me senti tocado pela filosofia do Art of Living. Na volta queríamos ir ao ashram do Vivekananda que era no caminho, mas o motorista não encontrou… saltamos em frente ao hotel e procuramos um restaurante para almoçar. A maioria estava fechada depois do almoço e só reabriria no começo da noite… encontramos um aberto e fizemos uma bela refeição italiana! Bangalore no quesito restaurantes me pareceu ser superior a Delhi.

 

Um dos locais que fomos, o Sky Deck

Uma movimentada vida noturna acontecia nas imediações do hotel. Restaurantes, lojas, shoppings, camelôs e todo tipo de comércio até tarde da noite. As calçadas borbulhavam de gente, de luzes, de música, uma grande festa que os indianos de Bangalore nos proporcionam diariamente! Um comportamento mais solto, mais liberal dos indianos que vivem em Bangalore, se deve ao seu contato diário com estrangeiros que estudam nos centros tecnológicos da cidade. Suas universidades são mundialmente conhecidas e exportam as melhores cabeças para os centros tecnológicos do Vale do Silício, na Califórnia. Muitos indianos também estudam ou estudaram em Londres e outras cidades cosmopolitas ocidentais, o que os faz absorver certos hábitos não comuns na Índia, como beber, fumar, ouvir música pop ocidental e, as mulheres mais novas, se vestirem de maneira pouco usual para o conservadorismo do país.

Bangalore possui uma vida noturna movimentada, barulhenta e muito iluminada

Após uma noite mal dormida por conta de uma festa nas proximidades até altas horas, tomamos nosso café num “boteco” próximo e chamamos o “Ola”, um tipo de Uber, para nos levar ao ashram do Sai Baba, que também era muito longe. Para variar o motorista se perdeu mas conseguimos chegar!

Eu e minha amiga no “boteco” próximo

Chegamos ao ashram de Sathya Sai Baba, lugar de difícil acesso e logo percebemos a energia maravilhosa do local. Deixamos os calçados na entrada e fomos dar uma volta para conhecer. Entramos na pequena lojinha de lembranças e mantimentos, na livraria e fomos para o salão de meditação, onde passamos um bom tempo. Foi uma meditação com a sensação de muito amor! Cada meditação pode proporcionar um insight ou sentimentos diferentes como paz, força, amor, etc. Aqui a sensação de amor foi predominante. Foi tão forte que me emocionei ao sair e passei um bom tempo quieto e em silêncio depois. O ashram é bem grande mas bem simples ao mesmo tempo. Não tem maiores divulgações, fama, ou faz parte de roteiros turísticos, como o da Art of Living por exemplo. Sempre uma grande sensação de paz e acolhimento permeando nosso período por lá. Comprei uma lembrancinha na loja e uns livretos na livraria. Na saída um senhor nos encaminhou para uma sala de orações e nos abençoou com o Vibhooti, um pó sagrado e abençoado pelo mestre, em vida. Deve ser usado em partes do corpo para proteção, saúde, prosperidade, etc. Foi uma visita muitíssimo especial esta que fizemos ao Sathya Sai Baba Ashram em Bangalore! Não é permitido tirar fotos no local e as poucas tiradas foram de fora.

Sathya Sai Baba ashram em Bengalore

Como em todas as grandes cidades indianas, Bangalore tem um trânsito muito complexo e engarrafado! Centenas de milhares de motos e scooters, carros, tuc-tucs, ônibus, vans, caminhões, bicicletas e outras coisas que se movem, circulando ao mesmo tempo em todas as direções. Deve-se sair muito cedo para visitar uma atração distante; de qualquer forma, na volta, ficar preso no trânsito é certo… vale a paciência e os efeitos das meditações para passar em paz por tudo isso!

A parte “chata” da India é o trânsito absurdo em todas as cidades médias e grandes…

Na volta do ashram do Sai Baba, nosso motorista do tuc tuc nos abandonou numa área muito estranha da cidade, dizendo que dali em diante não tinha licença para circular… estávamos no “meio do nada”, numa região árida onde nem os taxistas nos olhavam… e olha que na India somos indisfarçavelmente estrangeiros e turistas… por quase uma hora chamamos táxis e “Olas” mas ninguém achava o endereço. Depois de muitas tentativas conseguimos um “Ola” que nos levou ao hotel. Enquanto estávamos perdidos resolvemos andar sem rumo e nos deparamos com o ashram de Swami Vivekananda (um dos ashrams dele), que estava em nosso roteiro!

Um pequeno ashram de Swami Vivekananda

Não era o ashram “oficial”, mas também foi muito especial estar naquele local. Era um centro pequeno, com salão de meditação e pequeno hospital. Lamentamos pelo salão de meditação estar fechado e o hospital propriamente, não nos interessava. Recebemos nossas bençãos pelo vidro do salão e logo depois o táxi nos levou ao hotel. O restante do dia foi de descanso, alimentação, pequenas compras e planejamento para Varanasi, nosso próximo destino. Bangalore também é o maior centro tecnológico da India e um dos maiores e melhores do mundo nas áreas de informática, física, engenharia, matemática (poucos sabem, mas foi criada pelos indianos), biomedicina e várias outras disciplinas.

Centros tecnológicos de peso em Bangalore exportando cabeças para o mundo!

Bangalore, assim como Delhi, é uma cidade cosmopolita. Bangalore é mais “moderna” no quesito comportamento, diria mais ocidentalizada, embora possamos ver à cada esquina toda a tradição indiana da religiosidade, alimentação, devoção, vestimentas e fidelidade à própria cultura e história. Como qualquer cidade indiana não é uma visita fácil para quem vai pela primeira vez. Muito engarrafada, barulhenta e poluída, entretanto muito dinâmica, iluminada, desafiadora e cheia de vida! Dos institutos de tecnologia mais famosos do mundo atualmente, aos ashrams dos grandes mestres indianos, encontram-se todos aqui. Para mim que já estive em muitas cidades da India, grandes e pequenas, Bangalore foi um presente de conhecimento que recebi! Espiritualidade, gastronomia, ciência, cultura, simpatia das pessoas e muito mais. Para quem for à India com tempo de sobra, vale a pena se deslocar para o sul e conhecer este maravilhoso local!

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A P O I O  

Pelos Caminhos do Buddha 3. Sarnath, o 1º Discurso

A pequena Sarnath é um distrito de Varanasi, no estado de Uttar Pradesh. Aproximadamente 14 km separam as duas localidades e pode-se tranquilamente alcançá-la de tuc tuc. Como toda cidade budista da Índia, Sarnath é repleta de estupas, templos, monges e peregrinos do mundo todo. Numa das vezes que fui, tive que usar uma toalha como protetor para o rosto, pois era verão e tinha muita poeira na estrada.

 

 

Uma curta distância separa Sarnath de Varanasi e se não estiver muito frio, tuc tuc é a melhor alternativa

Sarnath gira em torno do budismo, pois Buda foi para lá após a iluminação em Bodh Gaya e fez seu 1º discurso para 5 discípulos sobre as 4 Nobres Verdades em 528 AC: “A Natureza do Sofrimento, A Origem do Sofrimento, A Cessação do Sofrimento e O Caminho para a Cessação do Sofrimento”. As 4 nobres verdades vão se desdobrar no Óctuplo Caminho que são:  “Compreensão/Visão Correta , Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Correta, Concentração Correta”. O discurso foi proferido no hoje conhecido Deer Park, o que o torna um dos locais mais movimentados da pequena localidade. Sarnath também é conhecida como local de nascimento do budismo, uma vez que a partir do 1º discurso, os ensinamentos do Buda se espalharam pela Índia e posteriormente por todo o sul da Ásia.

 

 

O local do 1º discurso de Buda e as estátuas reproduzindo o momento

Há templos budistas de muitas nacionalidades que foram construídos como doação, por seus respectivos países. Consigo enumerar Tibet, Butão, Myanmar, Tailândia, Sri Lanka, Nepal, Birmânia, China e Japão, dentre outros. Cada um com suas características de tamanho, finalidade, cerimônias, decoração, etc.  O Tibetan Temple é um dos mais concorridos para visitação e todos são abertos aos interessados em conhecê-los. Há também cerimônias fechadas em datas especiais; neste caso somente os lamas e monges podem participar. O colorido e as ilustrações simbólicas são comuns à todos, incluindo os enormes sinos e pinturas com deidades budistas, locais para meditações e leituras. Alguns comportam pequenos monastérios onde monges vivem ou visitam temporariamente para período de estudos e práticas.

 

 

Uma variedade de templos de muitas nacionalidades se espalha por Sarnath. Pode-se entrar na maioria para visitar e meditar

As estupas em Sarnath são das maiores que já vi. Logo ao entrar na cidade nos deparamos com a Chaukhandi Stupa, que foi construída no ano 500 AC. A área em torno é muito grande e possui estupas menores e outras tantas em seu estado original. Podemos observar muita gente meditando em cantos silenciosos e outras caminhando em torno delas com seus japamalas, colares de oração, entoando mantras silenciosamente. Próximo fica a  Dhamekh Stupa, também com uma grande área para caminhar em volta, fazer práticas e ficar em silêncio.

 

 

A Chaukhandi Stupa como uma torre, as mais baixas são remanescências da  Dharmarajika Stupa e os moges fazendo suas preces na Dhamek Stupa

O Mahabody temple de Sarnath fica no final da rua principal da cidade. É o principal templo do local e o mais visitado. Lá são feitas as cerimônias especiais com a presença eventual do Dalai Lama, comemorações oficiais do budismo tibetano, cerimônias de oferendas (pujas), inclusive infantis e estudos. A Bodhi Tree (Árvore Sagrada) debruça-se sobre o templo e suas folhas caídas podem ser levadas conosco.

 

 

Mahabody Temple com peregrinos, monges, turistas, placas explicativas e bandeiras de oração

 

 

Pelo caminho até o Mahabody passa-se pelo Deer Park, por restaurantes, pelo Museu Arqueológico e por muitos camelôs vendendo suas mercadorias que em geral são artigos religiosos, comidas e souvenirs

O Museu Arqueológico de Sarnath deve ser visitado por quem quer conhecer mais da história do budismo. Inaugurado em 1910, possui boa estrutura de informações para os visitantes tanto pelas descrições escritas das peças expostas, como pelos fones com descrições em várias línguas para quem prefere utilizá-los. É o mais antigo museu arqueológico da Índia  e há peças datadas com mais de 2500 anos do início do budismo e outras mais antigas ainda. O museu possui 5 galerias praticamente dedicadas ao tema. O Pilar de Ashok, grande monarca hindu que se converteu ao budismo, também encontra-se exposto, sendo sua roda adotada na bandeira da Índia.

 

 

A entrada do Museu Arqueológico, sua área externa e algumas peças

Sarnath possui um hospital de caridade que atende aos mais necessitados. Ao seu lado fica um pequeno monastério que também hospeda pessoas comuns desde que cumpram as regras do local. Tanto o hospital como o monastério, vários outros templos e o comércio ficam na rua principal, a Saranth Station Road.

 

 

Placas explicativas, o Grande Buda, portal com a Roda de Ashok e o jardim de um monastério

Sarnath pode ser conhecida em um único dia mas o ideal é passar uma noite lá e aproveitar com calma tudo o que ela oferece. Há uma cerimônia diária às 18:00 no Mahabodhi Temple que vale a pena conhecer. Há também retiros de estudos budistas e meditação nos centros destinados à estas práticas. Sarnath compõe o roteiro budista que, dentre outros locais, compreende Lumbini, Bodh Gaya e Kushinagar, locais do nascimento, iluminação e morte do Buda. Para quem quer se aprofundar no budismo tibetano ou apenas passar um ou mais dias de paz, Sarnath oferece silêncio, grandes áreas verdes e muitos locais para relaxar, pensar, estudar e meditar. Obrigado pela leitura!

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A P O I O

Jaipur – Terra dos Maharajas

No estado do Rajastão fica Jaipur, sua capital. Muito procurada por turistas e divulgada por agências de viagens, Jaipur mostra uma parte da história da Índia rica, poderosa e cheia de facetas, capital das pedras preciosas e rota da seda. Não muito distante ficam Jodhpur, Udaipur e Jaisalmer, todas estas cidades fazem referência à cores utilizadas em suas construções. Jaipur é chamada também de “Cidade Rosa” em função de muitas de suas construções terem sido feitas com arenito rosa, o que dá o visual característico da cidade.

O Hawal Mahal (Palácio dos Ventos) e seus tons característicos

Pouco antes da entrada da cidade fica o Monkee Temple local, onde já estive algumas vezes. Além do grande número de macacos que lá vivem, há locais para retiros de yoga e meditação. Ao chegar devemos ter cuidado com objetos nas mãos, pois os macacos são mestres em pegar tudo o que está fácil e ao seu alcance. Ao passar a entrada do templo e sua área interna baixa, encontramos uma grande escada que leva ao lago, onde são feitas cerimônias e meditações. Há uma grande flor de lótus construída no meio do lago.

Aspectos do Monkee Templo: entrada, escadarias, lago, macacos, flor de lótus e os centros de yoga e meditação

O Ajmer Gate é porta de entrada do Pink Market, o maior mercado popular de Jaipur. Lá encontra-se quase tudo o que se possa imaginar, de temperos a roupas, brinquedos e eletrônicos, tecidos variados, sapatos, pashminas e muito mais. O trânsito nas imediações é caótico e, certa vez, levei alguns minutos para conseguir atravessar uma rua dentro do mercado. Lá não se acha mercadorias de excelente qualidade, mas para comprar o básico e curiosidades é muito bom e variado.

O Ajmer Gate e o interior do Pink Market com sua infinitas ruas e lojas multicoloridas

A orla do lago de Jaipur é bem concorrida e concentra um bom número de restaurantes, camelôs, lojas e pode-se fazer um passeio de camelo. Indianos e turistas caminham por lá diariamente apreciando o visual. O Lake Palace ou Jal Mahal, palácio das águas, é um palácio construído dentro do lago e que é acessível por barcos de passeio. Sua história envolve muitas reformas e mudanças de estruturas, em função da constante variação do nível das águas.

O Lake Palace acima e um dos restaurantes da orla, com show típico de música e dança. Na foto abaixo um amigo brasileiro e o Ali, motorista de uma das idas a Jaipur

Uma das grandes atrações de Jaipur é o Amber Palace, construido em 1592 como uma fortaleza na cidade de Amber, 7 km de Jaipur e atualmente incorporada ao município. Está localizado no topo das colinas e em frente ao Maotha lake. Toda sua construção é de arenito e mármore branco e seu interior, salões, quartos, áreas de reunião, em mármores variados, prata e espelhos, uma combinação luxuosíssima! Para se chegar ao Palácio deve-se ir de elefante por um caminho estreito de mão dupla; elefantes sobem e descem ao mesmo tempo levando turistas.

Entrada e subida de elefante para o Amber Fort

A subida ao Amber Fort é feita tradicionalmente de elefante, num trajeto de aproximadamente 10 minutos até o topo do morro onde fica o palácio. Sua área interna é imensa com jardins e caminhos intermináveis, o que torna uma visita com menos de duas horas inviável para conhecer um pouco do local.

Os elefantes acima e na volta do Forte brinquei de encantador de najas…

A riqueza do interior do Amber Fort e seu show noturno de luzes

Por sugestão de nosso motorista numa das viagens, resolvi conhecer um templo de Ganesha no alto de um morro na cidade. Não contava que a subida era tão longa e íngreme… no caminho conheci um senhor que disse subir diariamente há mais de 20 anos as escadarias para limpar o templo e fazer suas orações. Valeu a pena o esforço, pois mesmo muito simples, o templo tinha uma vibração maravilhosa. Depois de mais de 30 minutos subindo recebi a benção de um sacerdote que organiza as atividades do local, meditei e curti a vista panorâmica do alto do morro.

A subida até o templo de Ganesha e o Dennis, motorista que me indicou a visita

Eu estava estudando o hindi, idioma oficial do país e tive por duas vezes a oportunidade de estar pessoalmente com minha professora Shraddha Pandey, que mora em Jaipur. Na primeira vez, fui convidado por ela e seu marido Jay Bodh para jantar num clube inglês muito bonito e, dois anos, depois quando voltei, jantei em sua casa com uma amiga . Eu estudava com ela pela internet via Skype, do Rio de Janeiro, e retornarei aos estudos em breve!

Eu, minha professora e o marido. Na outra foto uma amiga conosco

Uma das grandes atrações de Jaipur é o City Palace, ainda habitado pelo Maharaja do estado e sua família, entretanto só temos acesso a algumas áreas do palácio. Como todos os palácios na cidade, sua decoração é extremamente luxuosa e detalhista em azulejos, pedras e jogos de luzes com o sol. O labirinto de salas e corredores é enorme e merece uma atenção especial todo o trabalho dos constutores e artistas que o construiram. Na entrada um gostoso café nos convida ao descanso após muito caminhar.

Entrada do City Palace

O Jaigarh Fort abriga o maior canhão sobre rodas já construido. Atualmente fica protegido num galpão contra os excessos da chuva e do sol. O Jaigarh Fort era um complexo de fortes que inclusive abrigava o Amber Fort. Ambos ainda se conectam por um túnel.

Jaigarh Fort

Excelentes hospitais da medicina Ayurveda e medicina chinesa são encontrados em Jaipur, dentre eles o Instituto Nacional Ayurveda e o Instituto Indiano de Acupuntura. Certa vez uma amiga que viajava comigo teve um “travamento” na coluna e após 2 sessões com o Dr. C.L Nagpal não sentia mais nada e continuou a viagem com ótima saúde.

O hospital onde trabalha o Dr. Nagpal e o Instituto Indiano de Ayurveda em Jaipur

Jaipur é uma cidade grande e como tal, tem seus problemas de deslocamento urbano, muito trânsito, muitas obras constantemente, comércio intenso e barulho. Por outro lado oferece muito da vida e cultura da Índia através de seus monumentos, palácios, museus, restaurantes, teatros, cinemas, shoppings e mercados populares espalhados por toda a cidade. É um local que vale a pena conhecer com pelo menos 4 dias inteiros disponíveis. Se tiver mais tempo não deixe de fazer o tour de camelo pelo deserto próximo, dormir nos acampamentos sobre a areia e conhecer a vida dos nômades. Para quem gosta de aventura é um passeio imperdível! Obrigado pela leitura!

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A P O I O 

 

Agra – O Taj Mahal

Não é qualquer palácio que pode se dar ao luxo de ter a história, a mística, a fama e ainda constar entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Agra faz parte do famoso “Triângulo Dourado” vendido por qualquer agência de viagens, e  que compreende Delhi, Jaipur e Agra. Como faço meu próprio roteiro, só uso agências para uma necessidade extrema. Saindo de Delhi, a viagem até Agra leva aproximadamente 3 horas por meio terrestre. Como deve-se sair muito cedo para evitar o rush da manhã na capital, o café é tomado na estrada. Há atrações ao longo do caminho como Fatehpur Sikri, uma cidade fantasma com mais de 500 anos e a 40 km de Agra. Fatehpur Sikri será tema de outro post. A conclusão do Taj se deu em 1653, após 22 anos de construção, 20 mil operários e 1000 elefantes dando suporte à construção.  Shah Jahan, imperador mogol, ordenou a construção do palácio como homenagem a falecida esposa  Aryumand Banu Begam, sua favorita. A chegada ao Taj Mahal se dá pé, de tuc-tuc ou ricksha, após percorrida a distância de 1 km da entrada em sua área propriamente dita.

A estrada para Agra, o café na casa de nosso motorista, que nos convidou, e uma parada no caminho

Chegada a área do Taj, compra de ingressos e filas separadas de homens e mulheres para revista de segurança. Indianos  e estrangeiros pagam preços diferentes, como na maioria das atrações no país

Entra-se na fila determinada, passa-se pela revista e finalmente alcança-se o portão que permite a primeira vista do Taj ao longe. É de cair o queixo esta primeira visão… devo dizer que na segunda, na terceira e em outras vezes, esta primeira visão também faz cair o queixo! Nesta entrada pelo portão que permite a vista inicial, sempre há um aglomerado de pessoas tirando fotos e, para tirar sua própria foto com o Taj ao fundo, deve-se achar uma brecha entre os turistas ou ter a sorte de pegar este ângulo vazio por um momento.

A visão inicial pelo portão de entrada com a pequena multidão deslumbrada com a cena, uma foto que consegui sem gente ao lado, e os visitantes passeando pela área do palácio

No link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Taj_Mahal, pode-se encontrar várias histórias sobre a construção do palácio, material utilizado, problemas encontrados, seu uso político e religioso e muito mais. O Taj divide sua enorme área com o Red Fort de Agra, não menos belo, pelo menos para mim. Falarei do Red Fort de Agra em outro post.

A enorme área onde está o Taj Mahal e ao lado o Red Fort de Agra

 O Taj ao fundo, eu e uma amiga em outra ida 

Detalhes dos mármores, corredor de entrada e a porta de saída

É obrigatório o uso de pantufas nas dependências do palácio e na própria área externa de mármore. Fotos dentro do palácio também são proibidas. Um passeio imperdível é feito de barco à noite pelo rio Yamuna em volta do Taj, principalmente se estiver lua cheia.

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Como em toda a Índia, grupos de escolares são vistos em todos os monumentos históricos do país. O Taj Mahal não foge à regra

Noite de lua cheia e turistas num dos barcos de passeio noturno

O passeio ao Taj Mahal também pode oferecer passeio de camelo em volta da área externa do palácio

Eu relutei em ir ao Taj Mahal nas primeiras vezes em que fui à Índia. Ao conhecê-lo, me arrependi de não ter ido antes! Não só é lindo de cair o queixo, como também Agra pode oferecer outras atrações além dos palácios principais, o Taj e o Red Fort. Há ótimos locais para compras, excelentes hotéis e restaurantes, locais para práticas de yoga e meditação e muitas atividades culturais. Agra hoje é parte obrigatória do roteiro dos grupos que viajam comigo, afinal, quem é que vai à Índia e não quer conhecer o Taj Mahal? Obrigado pela leitura!

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Pelos Caminhos do Buddha 2. Bodh Gaya, Índia. A Iluminação

Acordo às 4:00h em Varanasi e às 5:00 o tuc-tuc estava na porta do hotel esperando para me levar à estação de trem, onde iria para Gaya e de lá para Bodh Gaya. Fiz malabarismos para passar na escuridão por cima das pessoas deitadas e sentadas no chão, fora da estação, esperando a hora do embarque de seus trens. Famílias inteiras, bagagens enormes, brinquedos das crianças, cenas muito diferentes. Foi difícil localizar minha plataforma pois quase tudo estava escrito em devanagri, o alfabeto oficial do país. Pedi ajuda a um senhor que foi muito solícito e inclusive me pagou uma Coca-Cola quando fui depois ao bar comer algo! Indiano pagar algo para estrangeiros não é muito comum… bom, tomei a Coca com um delicioso sanduíche vegetariano e embarquei uma hora depois.

A estação ferroviária de Varanasi, o trem e paisagens do percurso

Quatro horas de viagem com paisagens muito diferentes, secas, etc. Chego às 9:30 em Gaya e pego tuc-tuc para Bodh Gaya, mais 30m de viagem. Assim como em outras cidades na Índia, já estive em Bodh Gaya algumas vezes e esta descrição é um resumo delas.

Estação de trem em Gaya e ponto de tuc-tucs

É um local muito vibrante! Muito movimentada de monges, peregrinos e turistas indianos em especial, turistas de fora em menor escala. Ao chegar vou para meu hotel, ao lado de um templo tibetano pequeno. Apt limpíssimo e cama muito confortável. Deixo as coisas no quarto e saio para conhecer o Maha Body Temple, local da iluminação de Gautama Buddha. Como já são 11:20 tenho que esperar até às 14:00 para abertura dos templos que fecham das 11:00 às 14:00. Resolvo esperar na rua, próximo ao templo japonês que tem uma estátua de Buddha de 24 metros de altura. Ao abrir o templo japonês, entro com as pessoas (na verdade não era um templo, era a estátua cercada de enormes áreas verdes e jardins). Os peregrinos batiam num enorme tambor que, com isto, fazia uma grande vibração e um som hipnotizante, usados em algumas cerimônias e meditações.

Acima a estátua com 24m de altura e Bodh Gaya sempre com muitos turistas e peregrinos. A cidade vibra de orações, pessoas, locais para retiros, sinos e a multiplicidade característica da Índia

Fico surpreso com a quantidade de tempos e monastérios de diferentes origens: China, Tailândia, Butão, Japão, Vietnã, Nepal, Indonésia, Mianmar…

Meninos monges e templos oferecidos por vários países, em homenagem ao local da iluminação de Gautama Buddha

Na saída parei para comer uma samosa, almocei numa barraquinha próxima e fiz amizade com o dono, que me levaria de moto no dia combinado até Gaya, para pegar um ônibus para Rajgir.

Meninos curiosos comigo e um delicioso almoço típico das carrocinhas

Após o almoço dirijo-me então ao Mahabody Temple, cinco minutos a pé. Ao chegar perto percebo centenas de pessoas indo e vindo, dezenas de lojinhas, camelôs, guias, pedintes, turistas e o melhor: Maha Body Temple! É algo de tirar a respiração por suas dimensões, vibração que emite e beleza! Tem o local exato da iluminação de Gautama Buddha e os locais próximos onde meditou imediatamente antes e depois. Em cada local, monges, ensinamentos públicos, pujas (inclusive feitos por crianças) em áreas enormes. Cada área com estátuas esculpidas em diversos tamanhos, estupas pequenas, grandes e enormes, flores e mais flores, incensos contagiando o ar, música, enfim… de tirar a respiração!

A chegada ao Maha Body Temple

Entrei na pequena “capela” construída no local exato da iluminação. Dois monges e uma turista meditavam sentados no chão. Fiquei alguns momentos e dei a vez para quem aguardava. Passei para a sala anterior e o monge que tomava conta me deixou sentar no chão e meditar ali por cerca de cinco minutos, com uma monja e uma turista estrangeira. Bons presságios meditar na Bodytree e em local tão sagrado! BodyTree é a árvore que Buddha sentou por muitos dias até atingir a iluminação. Os indianos sempre a replantaram em locais sagrados, assim como os nepaleses e outros povos da região. Pode-se pegar suas folhas caídas no chão e usá-las em orações, curas, reverências e cerimônias. Lembro-me de uma vez lá, em que um monge veio me oferecer uma folha que pegou no chão; eu não entendi a razão e pensei que fosse algum misticismo irreal. Depois conversamos e ele me explicou sobre a bodytree.

O local onde Budhha se iluminou. Foi construido um templo no exato local, o Maha Body Temple

Saí da capela e caminhei por todos os sete passos (sete semanas) que envolveram a iluminação, em suas respectivas áreas enormes, utilizadas por Gautama Buddha na época e, atualmente, demarcadas nos jardins do templo.

Buddha meditou por 49 dias, sete semanas, cada semana num local específico na área que hoje é o Maha Body Temple. As placas sinalizam os locais exatos e podemos meditar nos mesmos locais.

Escolhi um canto no meio das estupas e fiz uma prática de meditação especial que faço semanalmente no Rio. Em cada canto grupos de pessoas meditam, fazem oferendas, entoam mantras específicos e caminham em volta das estupas silenciosamente. Quem não conhece as práticas apenas observa, tira fotos e reverencia. Muito legal ver turistas “meditadores” do mundo todo em cantos dos jardins, jovens e idosos. Entrei para almoçar num hotel no caminho que tinha um bom restaurante com ar condicionado, almocei e me refresquei um pouco do calor.

Monges, meditadores e turistas meditam sozinhos ou em grupos na vasta área do Maha Body Temple

Depois voltei para o meu hotel, descansei e voltei para o local. À noite tudo é mais bonito!
Todos os jardins iluminados por milhares de pequenas lâmpadas, além de rituais e ensinamentos acontecendo ao ar livre por todas as áreas. Também em todas as noites é realizado um puja em frente ao “Trono do Diamante”, local inacessível e só à noite aberto ao público, que deve ficar a uma certa distância. À noite com a iluminação, o Maha Body Temple tem outra dimensão visual e outras sensações e sentimentos são gerados. Cerimônias diferentes são realizadas e grupos de meditação escolhem seus locais, mais ou menos iluminados, para suas práticas.

O Maha Body Temple à noite

Mahabody Temple é uma experiência forte, única, maravilhosa e transformadora! Saí de lá exausto e peguei um Ricksha para me deixar perto do hotel. Parei numa banquinha de rua perto, comi um shapatti com arroz e fui dormir. Acordei às 4:00 pois ao lado do hotel tinha um templo tibetano e, neste horário, os monges começavam a entoar mantras e badalar os sinos. Acordei de bom humor e agradecendo por aquela experiência fantástica! Após a iluminação em Bodh Gaya, Buddha se dirige à Varanasi, no seu atual distrito de Sarnath. Lá reúne seus primeiros cinco discípulos e faz seu primeiro discurso que ficou conhecido como “As 4 Nobres Verdades”, tema para o post sobre Sarnath. O cara da banquinha passa às seis da manhã no hotel e me deixa na bus station em Gaya. Andar na garupa da moto de um indiano na estrada é uma experiência meio suicida, porém excitante. Na verdade uma clareira enorme no mato, cheia de ônibus para todos os lugares próximos. Duas horas de viagem até Rajgir numa coisa que chamam de “ônibus”… veículo velhíssimo caindo aos pedaços. Tinha TV e passava um filme pastelão indiano, daqueles que a princesa é salva pelo mocinho das garras do vilão malvado, além disso, o som do filme nas alturas! Rajgir, onde Buddha ia meditar nas cavernas na época das monções, está descrita em outro post. Obrigado pela leitura!

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Pelos Caminhos do Buddha 1. Lumbini, Nepal – Nascimento

 

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Estava em Bhairawa e sou surpreendido com a notícia que o país está em greve geral por dois dias. Meu plano inicial era ir dali para Kathmandu. Descobri então que Lumbini, cidade natal do Buddha, ficava há 26 km e Kathmandu há 270 km. Mudei minha rota e fui para Lumbini antes de Kathmandu. O problema foi conseguir transporte… não havia ônibus, nem táxis nem autorikshas, aqueles que os indianos chamam de tuc-tuc. Um cara de uma agência de viagens se ofereceu para me levar em seu carro por uma pequena fortuna, aos meus olhos. Recusei e disse a ele que alugaria um ricksha comum mesmo, aquele de pedalar e iria para Lumbini. O cara disse que eu era louco, que era muito longe, que estaria muito calor na estrada, que tinham os piqueteiros, etc. Nada disso me impressionou, pois estava decidido a ir para Lumbini. Voltei ao hotel e pedi ao cara da recepção negociar minhas condições com o condutor de um ricksha, pois este falava pouquíssimo inglês. Depois de uns 15 minutos, conseguimos fechar o preço em 700 rúpias nepalesas, água e paradas para comer qualquer coisa nas vendinhas da estrada.

Viagem de ricksha tranquila e com paisagens muito variadas

A viagem transcorreu maravilhosamente! Paisagens diferentes e exóticas pelo caminho, pessoas com trajes desconhecidos (nepaleses vestem-se diferentes dos indianos), calor suportável e muita sensação boa de estar no desconhecido! O condutor pedalou por 26 km carregando a mim e a bagagem. Paramos duas vezes para comprar água e comer. Numa das paradas eu comi uma espécie de grão, meio ervilha, meio feijão, muito saboroso numa tijelinha de ferro. Tomamos também coca-cola e chá para repor açúcar. Achei ótimo, pois há 24 horas praticamente só comia biscoitos salgados. Algumas horas depois chegamos em Lumbini, me hospedei numa guest house que esqueci o nome e saí para dar uma volta.

A chegada em Lumbini após a 2ª viagem de ricksha no Nepal.

Lumbini é um local grande, mas a “cidade” se concentra numa única rua onde ficam as guest houses, restaurantes muito simples e lojinhas para turistas com muitas coisas fantásticas para comprar! Os templos, os marcos históricos e outras atrações ficam mais distantes. Há também hotéis melhores e mais afastados, mas optei por ficar num hotel mais simples e perto de todo o necessário.

 

Grande número de pousadas, comércio, anúncios e a rua principal de Lumbini

Deixei as coisas na pousada e fui ao Buddha Nepal Temple e ao Maya Devy Temple, local exato do nascimento de Gautama Buddha. Em Lumbini o calor estava por volta de 42º… andei dois km do portal da entrada do templo até o templo propriamente, Ao chegar lá o guarda me pediu o ingresso e eu disse que não tinha, não sabia que era pago. Teria que voltar a pé os 2 km naquela temperatura e ele viu minha expressão de desânimo. Me ofereceu então o aluguel de sua bicicleta por 200 rúpias para eu comprar o ingresso e voltar. Claro que aceitei. A bicicleta era baixa para mim que sou alto e o freio mal funcionava, mas consegui fazer o percurso assando, tranquilamente! O Maya Devy Temple foi construído a aproximadamente mil anos sobre o local exato do nascimento de Buda. Há uma certa polêmica a respeito disto, pois na época de seu nascimento, Lumbini era parte da Índia. Depois foi anexada ao Nepal, o que faz muitos indianos dizerem que Buda é indiano e nepaleses dizerem que é nepalês…

Entrada do Maya Devi Temple, local do nascimento de Gautama Buddha e entrada do Buddha Nepal Temple

Maya Devy Temple e o local exato do nascimento de Buda

O local tem enormes jardins, milhares de flâmulas tibetanas, placas com dizeres do Buddha, incensos espalhados, etc. Não é tão turístico como o MahaBody Temple de BodhGaya, acredito por ser em uma cidade fora da Índia e de acesso não tão fácil. Centenas de peregrinos sentavam sob as árvores enormes para meditar, fazer orações e ouvir as palavras de monges que ficavam sob várias delas. Ao me aproximar de um grupo fui chamado pelo monge, que me colocou uma fita no punho direito e recitava mantras em tibetano enquanto a enrolava. Depois me deu dois incensos e pediu que os acendesse ao lado, no tronco de uma árvore que continha velas, flores e mais incensos. As árvores maiores como aquela, são descendentes da BodyTree original, a árvore em que Buddha, sentado sob sua sombra, alcançou a iluminação em Bodhgaya, na Índia.

A área do Maya Devi Temple

Passei um bom tempo andando por lá, lendo as placas, pensando na vida, mal acreditando que estava naquele local…  depois sentei para meditar sob a BodyTree e voltei para almoçar numa caminhada longa sob calor enorme. Almocei o mesmo prato que vi um americano comer e pedi igual. Ele também ia depois para Kathmandu e também viajava sozinho. Pra variar o prato tinha muita pimenta e ao mesmo tempo muito saboroso. Fui depois para o hotel tirar um cochilo e novamente passear. Aluguei uma bicicleta e entrei numa pequena aldeia próxima, com casas de sapê, mas não me senti a vontade para tirar fotos. Voltei, entreguei a bicicleta e fui para a internet ver e-mails e postar algumas fotos. Lá, havia um monge jovem com um japamala nas mãos e no pescoço. Passamos um bom tempo ao computador e, quando me levantei, dei um “tchau”. O monge então virou para mim com um olhar de felicidade e bondade que nunca tinha visto na vida! Juntou as mãos, abriu um enorme sorriso e disse “namastê”. Lembrei-me da expressão budista “oceano de amor”; seus olhos expressavam isto e esta imagem me marcou o resto da viagem.

Aluguei uma bike e fui em direção à um vilarejo nas proximidades. Um monge chinês ensinava crianças a tocar seu tambor. A chuva forte me fez voltar mais rápido do passeio

No dia seguinte fui conhecer o Ashokan Pillar, o Chinese Maitreya Temple e outros nas  imediações. Este passeio levou a metade do dia. Conheci um português que já havia morado no Brasil e sua namorada italiana. Batemos um bom papo e seguimos nossos caminhos. Como todos os templos budistas, estes também muito coloridos, com representações das deidades e emanações do Buddha, esculturas, pinturas em tankas (tecido especial), rituais, meditações diariamente e retiros disponíveis em muitas datas ao longo do ano. Um quadro relata a divindade e o poder de Buddha, que ao nascer,  caminhou sobre flores de lótus desde o 1º dia de vida.

Os típicos templos budistas multicoloridos, alegres e mágicos!

Indicações de retiros de meditação e o Deer Park

Escolas de meditação budista e monastérios são encontrados a cada esquina praticamente. Na época das monções e no inverno costumam ficar lotados de estrangeiros que buscam retiro nesta terra sagrada. Meu hotel ficava em frente ao Deer Park, também encontrado em Rajgir, cidade para outro post. Eu quis passear e meditar lá e sentir a energia do Buddha que se mantém, pois ele costumava passear e meditar lá na época. Fui aconselhado a não entrar no parque por causa das cobras (najas), que no verão se proliferam… fiquei na vontade… passei mais um dia e noite em Lumbini com a certeza de voltar com mais tempo e meditar muito. Minha amiga Adva, da Ucrânia, passou dois meses meditando com um monge numa caverna nas redondezas. Quem sabe terei esta oportunidade também?

Obrigado pela leitura!

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Pokhara & Everest. O Nepal Mágico

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Uma das grandes surpresas que tive no Nepal foi  conhecer Pokhara, uma cidade num dos vales dos Himalayas distante oito horas de ônibus de Kathmandu. Pelas fotos no hotel me encantei com o lugar e comprei o pacote para conhecê-la. Essa estória de pacote não serve para mim, pois acabo mudando o roteiro e o tempo de estadia por conta própria, quando viajo sozinho. Acordei bem cedo e me levaram ao local de onde partiria o ônibus. Desta vez um belo ônibus com poltronas reclináveis, ar condicionado e água. Eu e muitos turistas embarcamos. Demoramos a sair de Kathmandu, pois o motorista ainda entrou numa fila enorme em um posto para abastecer o ônibus. Não deveria ter abastecido antes da viagem? Coisa de nepalês suponho eu. Logo depois de sair de Kathmandu e já subindo as montanhas, fomos surpreendidos por um grupo de manifestantes que bloqueavam a estrada, resquícios da greve no país. Ficamos parados por duas horas até a chegada da polícia e dispersão dos piqueteiros. Durante esse tempo conversei com algumas pessoas nativas. Conheci também uma carioca, Claudia, que estava indo com um grupo de pesquisadores nepaleses para uma região restrita nas montanhas. De lá ela seguiria para Milão, onde vivia. Batemos um pequeno papo e nos despedimos quando chegamos a Pokhara.

O ótimo ônibus de Kathmandu para Pokhara e o bloqueio na estrada, que depois de 2 horas foi retirado pela polícia

A viagem foi longa. Paramos duas vezes para comer em locais muito agradáveis e preparados para turistas, à beira de rios cercados de campos de arroz muito verdes e brilhantes por quase toda a estrada. As paisagens são indescritíveis, os penhascos assustam um pouco e a temperatura alta durante quase todo o trajeto. Passamos por vários vilarejos nas montanhas, um ou dois deles muito movimentados de pessoas e
comércio bem variado e bom. Por volta das 17:00h chegamos em Pokhara.

Muitas montanhas, rios e campos de arroz compõem a paisagem da estrada. Paramos para comer duas vezes em restaurantes à beira dos rios. Também ofereciam quartos para hospedagem.

Meu hotel era da mesma rede do hotel em Kathmandu, gostoso e perto de tudo. Como ficaria apenas uma noite, não levei a mochila, só uma sacolinha. Fui andar um pouco e conheci muitos bares, restaurantes de várias especialidades, lojas e turistas. Muitos turistas em Pokhara! No dia seguinte aluguei uma scooter e saí pela cidade conhecendo os cantos. Encontrei com alegria o japonês de Varanasi andando pelas ruas e marcamos um passeio na tarde do dia seguinte. Eu o conheci na viagem de ônibus de Varanasi na Índia, até Sonauli na fronteira com o Nepal, num quase conto ficcional que será contadao em outro post. Quanto mais rodava mais fascínio Pokhara exercia! O lago (Phewa Lake), as montanhas, os turistas, os restaurantes de várias cozinhas e o comércio local. Pokhara é uma espécie de “baixo Himalaya” onde tudo acontece e todos se encontram. Fica situada num vale cercada pela cordilheira. Mais tarde tirei fotos, troquei algum dinheiro e à noite fui comer uma pizza no Black & White Café, ao lado do hotel. Pizza! Sim, pizza! Nada como algo familiar para nos energizar em alguns momentos. Finalmente comida ocidental, estava com saudades… a pizza não era a melhor do mundo, mas quebrou bem o galho! Hora de dormir e antes de adormecer de vez resolvi ficar mais tempo em Pokhara… o problema é que não tinha roupas para trocar, tinham ficado na mochila em Kathmandu. Nada que não pudesse ser contornado depois.

Restaurantes muito variados, comércio bom, motos e scooters para alugar. A pizza nepalesa para dar um descanso ao paladar apimentado da região e o japonês que reencontrei em Pokhara

No dia seguinte acordo às 4:15 pois meu driver me levaria às 4:45 para o “Annapurna  View”, um mirante meio longe onde poderia ver o nascer do sol no Monte Everest. Annapurna é o nome nepalês para Everest. Chegamos em 20 minutos aproximadamente. Muitos turistas, especialmente japoneses. Ficamos mais ou menos uma hora lá e a emoção é muito forte; algo indescritível… faltou a voz naquele lugar… em linha reta estaríamos a uns 250 km do Annapurna. Mal comparando, a impressão visual é como ver o “Dedo de Deus” em Teresópolis, da estrada Washington Luiz na saída do Rio.

Ver o Everest é uma emoção indescritível… o tempo parou naquele momento. A Buddha Air oferece um passeio de avião de 60 minutos em torno do pico, com vôos  saindo de Kathmandu, para os que tem interesse e algum dinheiro sobrando.

Saí atordoado com o visual, o turbilhão de emoções e voltei para o hotel. Pensei em dormir mas não consegui, estava muito agitado ainda. Saí então para comprar algumas peças de roupa e pequenas coisas que ficaram em Kathmandu, aluguei uma moto para passear mais, reencontrei o português de Lumbini com a namorada e, mais tarde, o japonês passou no meu hotel e fomos conhecer o “Devi’s Falls”, um parque com uma cachoeira famosa na cidade. Diz a história local que Devi era um homem rico cuja esposa morreu ao cair da cachoeira. O parque então foi construído por ele para homenageá-la. Havia tentado ir mais cedo, mas a saída de Pokhara estava fechada por causa da greve que havia voltado e os guardas não me deixaram passar. Não vi nada demais em “Devi’s Falls”. Na volta nos perdemos no caminho e paguei mais meia hora de aluguel da moto por isto.

As motos que alugava para passear, o português de Lumbini com a namorada, o japonês que ficou meu amigo e Devi’s Falls, local turístico da cidade.

O japonês não falava inglês e nossa comunicação era por mímicas, o que tornava nossos diálogos muito engraçados, principalmente quando nos perdemos na volta de Devi’s Falls. Depois do passeio entreguei a moto e fui para o hotel. À noite na loja de internet conheci Carolina, uma carioca que mora na Suíça e estava há 30 dias no Nepal. Ela havia feito um trekking (caminhada) de 10 dias pelas montanhas e escapou de uma avalanche que inclusive foi noticiada no Brasil. Ela iria no dia seguinte para Kathmandu e eu havia decidido ficar mais tempo por aqui. Carioca e bem gaiata perguntou se eu gostava de cerveja! Fomos a um “botequim” tibetano onde rimos muito e tomamos várias cervejas
nepalesas! Meio ruim, mas depois do 3º copo é tudo igual. Despedimos e ficamos de nos encontrar em Kathmandu para conhecer as “Holly Caves” (cavernas sagradas), nas imediações da cidade. Muito bom falar um pouco de português novamente!

O “botequim” tibetano, a cerveja nepalesa “Gorkh” e Carol, que se tornou uma grande amiga.

O Phewa Lake com 4 km de extensão é uma das marcas de Pokhara, o que fez com que quase toda a cidade fosse construida ao seu redor. Aluguei outra moto e tentei fazer a volta em torno dele, mas num determinado local a estrada acabou e tive que voltar… fui para o pier e peguei um barco para o Barahi Temple, construido na pequena ilha no meio do lago. O Barahi Temple é um dos templos hinduistas no Nepal e este é dedicado à deusa Shakti, uma das manifestações da deusa Durga. Para quem tem interesse no tema vale a pena a pesquisa. O passeio é muito agradável e fui somente com o remador. O templo é pequeno mas emana uma energia de força e paz muito intensa. Fiquei por algum tempo lá, meditei no local e voltei para terra firme. É possível ir pela manhã e passar o dia naquele ambiente mágico e de muita tranquilidade, para quem aprecia.

O Phewa Lake com 4 km de extensão é um local de pesca, passeios e visita ao tempo Bahari, numa ilhota em suas águas

Acordei às 8:10h, que maravilha! Estava exausto e tirei o dia para descansar. Tomei café, comprei umas camisetas nepalesas muito bonitas, fui ver emails, fiz câmbio e sentei para escrever sobre a viagem, coisa que há três dias não fazia. Voltei para o hotel, descansei e fui almoçar. Comi um momô, prato tibetano delicioso a base de massa de arroz. Pode-se comê-lo recheado com vegetais, frango ou carne de búfalo. Escolhi a última opção para experimentar, realmente uma delícia! Conheci um casal de americanos de 82 anos que gostava de viajar para países exóticos e batemos um bom papo durante o almoço. Depois do almoço mais descanso, passeio de scooter, e à noite um spring roll (rolinho primavera) extremamente apimentado estragou meu jantar… coisas de viagens.

Um dia para escrever, descansar, comer coisas novas e conversar com outros viajantes.

Mais um dia na cidade por conta de passeios e meditação, o último dia infelizmente. Ficaria 30 dias em Pokhara facilmente. Pokhara também possui monastérios e templos, principalmente budistas, retirados nas montanhas. Há muitas escolas de yoga e meditação, onde se pode fazer desde pequenas práticas até as mais longas, que demandam tempo e determinação. Se você pretende ir ao Nepal, Pokhara pode ser uma experiência surpreendente!

Obrigado pela leitura!

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