BANGALORE – Uma Grata Surpresa!

Bangalore não constava nos meus roteiros pela Índia. Eu tinha uma visão muito comercial e tecnológica da cidade, o que também se confirmou. Entretanto uma amiga havia recebido a recomendação também de um amigo e resolvi acrescentá-la na última viagem. Saímos do aeroporto Indira Ghandi em Delhi e três horas depois estávamos no local que foi uma grata surpresa para mim! Logo ao chegar percebi um aeroporto muito acolhedor com flores em frente às esteiras, muitos cafés, lojinhas, áreas floridas e muito bem tratadas logo na saída. Sentamos num destes cafés para descansar um pouco e aguardar nosso táxi para o hotel.

 

Um aeroporto acolhedor nos recebeu

As flores nas esteiras onde pegamos as malas foi uma grande novidade para mim. De certa maneira é um acolhimento de boas vindas proporcionado pela administração do aeroporto. Os cafés também são bem simpáticos, confortáveis e ficamos algum tempo sentados e olhando o movimento do aeroporto que acabamos de conhecer. Depois pegamos o táxi e fomos para o hotel na Mahatma Ghandi Road, em frente a estação de metrô do mesmo nome. Nosso hotel era muito bem localizado no centro da cidade e ao lado de um variadíssimo e sofisticado comércio, restaurantes, lojas famosas e muito mais.

 

Comércio intenso e variado na região do hotel

No caminho do aeroporto ao hotel pude observar a limpeza da cidade, contrastando com a maioria das cidades indianas. Logo depois de nos acomodarmos fomos dar uma volta nas imediações e nos deparamos com o “Hard Rock Café Bengaluru”. Eu sei que há um Hard Rock em Delhi, no Sacket (um bairro chique e distante), mas nunca passou pela minha cabeça entrar num deles na Índia… acabamos entrando e fiz um belo lanche! Indianos mais “descolados” frequentam o local e ouvem um bom Rock & Roll ocidental enquanto bebem e papeam. Para mim foi uma novidade ver indianas em especial usando saias curtas, fumando e bebendo; depois falo mais sobre esta peculiaridade de Bangalore. A decoração do bar é sensacional, assim como o cardápio e as músicas. Como estávamos na Índia, mesmo num bom lugar, tivemos que pedir que requentassem a comida, pois veio meio fria… coisas da India!

 

O Hard Rock Café de Bangalore

Em meu roteiro constava conhecer os ashrams de Sathya Sai Baba, Vivekananda e a sede da “Art of Living” (Arte de Viver), do Sri Sri Ravi Shankar, o mestre indiano e não o músico mundialmente conhecido. No dia seguinte pela manhã pegamos um táxi e fomos para o Art of Living. Muito longe, trânsito mais engarrafado que em Delhi, mas enfim conseguimos chegar. Logo na entrada podemos ver a imponência do local com seguranças na porta, muitos avisos sobre o comportamento lá dentro, uma kombi para nos levar até onde quiséssemos, muitas lojas pequenas e grandes, lanchonetes, sorveteria, anfiteatro, lago, centros de tratamento da medicina Ayurveda, prédios dormitórios, um enorme salão de meditação e outros locais para atividades específicas. Passamos um bom tempo lá conhecendo o que foi possível. Estava um sol escaldante e um calor enorme, o que requereu um esforço grande para caminhar em parte daquela imensidão…

Visão geral da sede da Art of Living em Bangalore

Meditamos por algum tempo no salão de meditação, conhecemos mais alguma coisa do local e voltamos para a cidade. O Art of Living é bem interessante, mas me pareceu ao mesmo tempo ter uma forte visão comercial, o que não me agradou muito. Como estou acostumado a outros ashrams em diversas cidades na Índia e com outras abordagens, não me senti tocado pela filosofia do Art of Living. Na volta queríamos ir ao ashram do Vivekananda que era no caminho, mas o motorista não encontrou… saltamos em frente ao hotel e procuramos um restaurante para almoçar. A maioria estava fechada depois do almoço e só reabriria no começo da noite… encontramos um aberto e fizemos uma bela refeição italiana! Bangalore no quesito restaurantes me pareceu ser superior a Delhi.

 

Um dos locais que fomos, o Sky Deck

Uma movimentada vida noturna acontecia nas imediações do hotel. Restaurantes, lojas, shoppings, camelôs e todo tipo de comércio até tarde da noite. As calçadas borbulhavam de gente, de luzes, de música, uma grande festa que os indianos de Bangalore nos proporcionam diariamente! Um comportamento mais solto, mais liberal dos indianos que vivem em Bangalore, se deve ao seu contato diário com estrangeiros que estudam nos centros tecnológicos da cidade. Suas universidades são mundialmente conhecidas e exportam as melhores cabeças para os centros tecnológicos do Vale do Silício, na Califórnia. Muitos indianos também estudam ou estudaram em Londres e outras cidades cosmopolitas ocidentais, o que os faz absorver certos hábitos não comuns na Índia, como beber, fumar, ouvir música pop ocidental e, as mulheres mais novas, se vestirem de maneira pouco usual para o conservadorismo do país.

Bangalore possui uma vida noturna movimentada, barulhenta e muito iluminada

Após uma noite mal dormida por conta de uma festa nas proximidades até altas horas, tomamos nosso café num “boteco” próximo e chamamos o “Ola”, um tipo de Uber, para nos levar ao ashram do Sai Baba, que também era muito longe. Para variar o motorista se perdeu mas conseguimos chegar!

Eu e minha amiga no “boteco” próximo

Chegamos ao ashram de Sathya Sai Baba, lugar de difícil acesso e logo percebemos a energia maravilhosa do local. Deixamos os calçados na entrada e fomos dar uma volta para conhecer. Entramos na pequena lojinha de lembranças e mantimentos, na livraria e fomos para o salão de meditação, onde passamos um bom tempo. Foi uma meditação com a sensação de muito amor! Cada meditação pode proporcionar um insight ou sentimentos diferentes como paz, força, amor, etc. Aqui a sensação de amor foi predominante. Foi tão forte que me emocionei ao sair e passei um bom tempo quieto e em silêncio depois. O ashram é bem grande mas bem simples ao mesmo tempo. Não tem maiores divulgações, fama, ou faz parte de roteiros turísticos, como o da Art of Living por exemplo. Sempre uma grande sensação de paz e acolhimento permeando nosso período por lá. Comprei uma lembrancinha na loja e uns livretos na livraria. Na saída um senhor nos encaminhou para uma sala de orações e nos abençoou com o Vibhooti, um pó sagrado e abençoado pelo mestre, em vida. Deve ser usado em partes do corpo para proteção, saúde, prosperidade, etc. Foi uma visita muitíssimo especial esta que fizemos ao Sathya Sai Baba Ashram em Bangalore! Não é permitido tirar fotos no local e as poucas tiradas foram de fora.

Sathya Sai Baba ashram em Bengalore

Como em todas as grandes cidades indianas, Bangalore tem um trânsito muito complexo e engarrafado! Centenas de milhares de motos e scooters, carros, tuc-tucs, ônibus, vans, caminhões, bicicletas e outras coisas que se movem, circulando ao mesmo tempo em todas as direções. Deve-se sair muito cedo para visitar uma atração distante; de qualquer forma, na volta, ficar preso no trânsito é certo… vale a paciência e os efeitos das meditações para passar em paz por tudo isso!

A parte “chata” da India é o trânsito absurdo em todas as cidades médias e grandes…

Na volta do ashram do Sai Baba, nosso motorista do tuc tuc nos abandonou numa área muito estranha da cidade, dizendo que dali em diante não tinha licença para circular… estávamos no “meio do nada”, numa região árida onde nem os taxistas nos olhavam… e olha que na India somos indisfarçavelmente estrangeiros e turistas… por quase uma hora chamamos táxis e “Olas” mas ninguém achava o endereço. Depois de muitas tentativas conseguimos um “Ola” que nos levou ao hotel. Enquanto estávamos perdidos resolvemos andar sem rumo e nos deparamos com o ashram de Swami Vivekananda (um dos ashrams dele), que estava em nosso roteiro!

Um pequeno ashram de Swami Vivekananda

Não era o ashram “oficial”, mas também foi muito especial estar naquele local. Era um centro pequeno, com salão de meditação e pequeno hospital. Lamentamos pelo salão de meditação estar fechado e o hospital propriamente, não nos interessava. Recebemos nossas bençãos pelo vidro do salão e logo depois o táxi nos levou ao hotel. O restante do dia foi de descanso, alimentação, pequenas compras e planejamento para Varanasi, nosso próximo destino. Bangalore também é o maior centro tecnológico da India e um dos maiores e melhores do mundo nas áreas de informática, física, engenharia, matemática (poucos sabem, mas foi criada pelos indianos), biomedicina e várias outras disciplinas.

Centros tecnológicos de peso em Bangalore exportando cabeças para o mundo!

Bangalore, assim como Delhi, é uma cidade cosmopolita. Bangalore é mais “moderna” no quesito comportamento, diria mais ocidentalizada, embora possamos ver à cada esquina toda a tradição indiana da religiosidade, alimentação, devoção, vestimentas e fidelidade à própria cultura e história. Como qualquer cidade indiana não é uma visita fácil para quem vai pela primeira vez. Muito engarrafada, barulhenta e poluída, entretanto muito dinâmica, iluminada, desafiadora e cheia de vida! Dos institutos de tecnologia mais famosos do mundo atualmente, aos ashrams dos grandes mestres indianos, encontram-se todos aqui. Para mim que já estive em muitas cidades da India, grandes e pequenas, Bangalore foi um presente de conhecimento que recebi! Espiritualidade, gastronomia, ciência, cultura, simpatia das pessoas e muito mais. Para quem for à India com tempo de sobra, vale a pena se deslocar para o sul e conhecer este maravilhoso local!

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A P O I O  

Haridwar – O Portal dos Deuses

Saímos pela manhã bem cedo de Delhi com destino à Haridwar, uma pequena cidade no norte da Índia e também uma das sete cidades sagradas do país. Fomos de trem por aproximadamente 9 horas e nosso plano era passar três dias e seguir para Rishikesh, mais ao norte ainda. A viagem transcorreu tranquila pelos 235 km que separam as duas cidades.Resolvemos desta vez viajar na 1ª classe, escolha que nos custou somente US$ 10 extras.

A cabine do trem é confortável e segura, mas sem luxo algum. Comemos biscoitos e refrigerante, era o que havia

Haridwar é a primeira cidade plana a receber o rio Ganges em sua descida pelos Himalayas até a Índia. Na entrada da cidade nos deparamos com o grande Shiva, que majestoso, nos recebe com seu poder e bençãos.

shiva                           Enorme estátua de Shiva na entrada de Haridwar

Enfim chegamos ao nosso destino e fomos para o hotel escolhido anteriormente. Ele ficava na beira do rio e as janelas do quarto praticamente no nível da água. O que era lindo de se ver transformou-se para mim à noite num tormento… estávamos no inverno de fevereiro e o frio me impedia de dormir, mesmo tendo colocado tudo o que tinha de roupas! Consegui me controlar e fiz uma meditação de aquecimento oriunda do budismo tibetano e de práticas de yoga. Após alguns minutos fazendo uma determinada respiração, consegui me aquecer e dormir por algumas horas.

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Muitos hotéis da cidade ficam em frente ao rio

Deixamos nossas coisas no hotel e fomos conhecer a cidade de tuc-tuc. Haridwar é cortada ao meio pelo Ganges, o qual divide não só a cidade geograficamente, mas também um dos lados é área de moradia dos Dalits, a casta dos intocáveis, considerada a mais baixa do país. Vêem-se centenas deles acampados na outra margem do rio, cozinhando, cantando, dormindo e fazendo pequenos negócios para ajudar na sobrevivência.

dalitsUma mãe Dalit com seu filho

O comércio local é intenso e muito variado, como costuma ser na maioria das cidades indianas.

O comércio de Haridwar é intenso e muito variado

Passamos o dia explorando a cidade, conhecendo locais de interesse, templos, ruas, o rio e suas atrações, etc.

Há muitas atrações de diversas naturezas para conhecer em Haridwar.

No fim do dia eu estava com forte resfriado e com febre, além disso o frio aumentou e chovia muito, o que piorou meu estado. Saímos para tentar encontrar um bom casaco e consegui comprar um num camelô; um casaco tão bom que cheguei a usá-lo posteriormente em Oslo num frio de – 11º. Este casaco chinês me salvou em Haridwar e logo depois em Rishikesh, onde estava mais frio ainda.

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O casaco chinês do camelô que me salvou do gelado inverno indiano. Foto em Rishikesh

Durante o dia comemos bobagens pelas ruas e almoçamos num pequeno restaurante vegetariano. Havia a escultura de uma mão feminina badalando um sino (símbolo da vacuidade) que nos chamou a atenção. A comida muito boa e o ambiente bem agradável também.

À noite jantamos no restaurante de um hotel próximo e comemos pizza! Bom, seja lá o que o cozinheiro entende por pizza… neste jantar conhecemos uma senhora brasileira casada com um indiano. Batemos um papo com o casal e voltamos para o nosso hotel. Há bons restaurantes em Haridwar e pode-se comer algo com paladar ocidental em vários restaurantes e redes fast food.

No dia seguinte depois do café fomos em direção ao Mansa Devi Temple que fica no alto de um morro e chega-se de teleférrico.

Caminho aéreo até o Mansa Devi Temple

Passamos um bom tempo lá conhecendo, caminhando, fotografando e fazendo nossas orações e oferendas. Deve-se ter cuidado com os macacos, pois podem roubar qualquer objeto que estejamos carregando. Como sempre, turistas indianos quiseram tirar fotos conosco. É divertido ser atração num local diferente…

Mansa Devi Temple

Na Índia é comum a construção de templos no alto de morros e montanhas. Certa vez em Jaipur fui conhecer um templo dedicado a Ganesha; quase perco o fôlego subindo as escadarias intermináveis. A pior de todas, para mim, é a do Monkee Temple de Katmandu, mas este assunto será tratado nos posts sobre estas cidades. À tardinha do segundo dia fomos providenciar nossa ida para Rishikesh e depois de pesquisarmos algumas agências de turismo, conhecemos o MR. Ashok, um senhorzinho muito simpático que nos orientou em tudo. Fizemos a reserva do hotel e também contratamos um táxi com ele para nos levar.

Mr. Ashok resolvendo nosso deslocamento e nos servindo um chai

Haridwar é uma cidade com uma grande história e que vale a pena pesquisar se você tiver interesse. Possui vários Ashrams e escolas de meditação e yoga de várias linhas diferentes. Também há locais para retiros, tratamentos pela medicina Ayurveda e estudos de sânscrito e música indiana.

Faculdade Ayurveda, meditação em grande grupo e dois Ashrams

Para os aficcionados aos esportes há rafftings para a descida de algumas corredeiras locais do rio Ganges, tirolezas na cachoeira e vôos de parapente sobre a exuberante natureza local.

Práticas esportivas em Haridwar

O safári também é outra atração local na reserva selvagem próxima. Lá pode-se ver tigres, elefantes e outros animais de grande porte.

Safaris em Haridwar

Atualmente Haridwar faz parte do roteiro dos grupos que levo para a Índia, quando viajamos para o norte.

Obrigado por sua visita!

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